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Arnold Schönberg nasceu em Viena a 13 de setembro de 1874. Desde 1892 dedicou-se exclusivamente ao estudo da música, compondo os primeiros lieder em 1897. Ganhou depois a vida, em Berlim, como orquestrador de operetas. Retornando a Viena, desenvolveu intensa atividade pedagógica. Suas composições, quando executadas, foram recebidas com escândalo.

Fundou uma associação de execuções musicais privadas, especializada em música moderna. Em 1925 foi nomeado sucessor de Busoni na Academia de Artes de Berlim, sendo demitido em 1933, com a ascensão do nazismo. Partindo para Paris, reconverteu-se ao judaísmo, por solidariedade aos judeus perseguidos.

Seguiu depois para os Estados Unidos, onde foi nomeado, em 1936, professor da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, cidade onde morreu, a 13 de julho de 1951.




O nome de Schönberg evoca ao mesmo tempo a continuidade e a ruptura com a tradição musical. Inventor de um novo sistema musical, o dodecafonismo ou música serial, rompeu com o sistema tonal tradicional, herdado de J.S.Bach e Rameau. Suspendendo as funções tonais, tinha chegado ao atonalismo, que é o termo de sua primeira etapa.

A etapa final, construtiva, é a música serial, em que a obra se elabora segundo uma série em que estão representados, sem nenhuma hierarquia, os 12 sons da escala cromática. Foi uma evolução sistemática, que partiu do hipercromatismo de Wagner de Tristão e Isolda para chegar à dissolução tonal (atonalismo) e, depois dessa, à construção do seu próprio sistema. Por isso, por ter desenvolvido até o último limite as conquistas pós-românticas, Schönberg merece ser considerado também como continuador de uma tradição.

Schönberg teve que defender-se contra permanente objeção ao sistema serial: esse seria um entrave à liberdade criadora. Mas durante toda a sua carreira nunca transigiu. Em suas obras finais alguns viram a tentativa de conciliação entre o seu método e o sistema tonal clássico. Mas seu retorno, passível de discussão no plano estético, seria compreensível noutro plano, o da expressão pessoal.

A obra de Schönberg pode ser divididas em etapas que se desenvolvem coerentemente. A primeira é a fase de formação, pós-romântica, que se inicia com os Lieder Op. 1, Op. 2 e Op. 3 (1897), onde se notam as influências contraditórias de Brahms e Wagner. A seguir, o Sexteto para cordas - Noite transfigurada (1899) continua a tradição pós-romântica wagneriana, apresentando uma novidade: a introdução do programa poético na música de câmara.

Depois, a obra Cantos de Gurre (1900), oratório profano sobre texto do poeta dinamarquês Jens Peter Jacobsen, para seis solistas, quatro grande coros e uma grande orquestra de 180 figurantes. Iniciada em 1900, só será concluída em versão definitiva em 1911. É obra tipicamente pós-wagneriana, desenvolvendo o hipercromatismo e ampliando ao máximo os recursos da orquestra. À mesma fase pós-romântica pertence o poema sinfônico Pelleas e Melisande (1902), sobre texto do poeta belga Maeterlinck.

O Quarteto para cordas n.º 1 Op. 7 (1906), desenvolvendo as complexas harmonias de Brahms, inicia a nova fase. Mas é sobretudo na Sinfonia de câmara (1906) que se esboça uma nova estética musical, apesar dos traços pós-românticos. Enfim, o Quarteto para cordas n.º 2 Op. 10 (1907), avança um passo decisivo: embora harmonicamente tradicional, anuncia, em seu movimento final, a libertação da tonalidade. A introdução da voz de soprano nos dois últimos movimentos é algo de insólito.

Nas obras postriores, sobretudo nas Peças para piano Op. 11 (3) (1908) e nas Peças para orquestra (15) (1909), dois pontos altos dessa fase, Schönberg já desenvolve francamente o atonalismo e o atematismo melódico. Nelas se aplica o princípio de economia unido ao princípio de variação, na busca de uma extrema concisão estrutural. Essas tendências atingem o auge nas Peças para piano Op. 19 (6) (1911), abandonando toda a prolixidade em favor de novos meios de articulação sonora.

Obra-chave de Schönberg é Pierrot lunaire Op. 20 (1912). Seu clima expressionista, foi precedido pela ópera monodramática Espera (1909), obra em que se precisa com mais nitidez o atematismo melódico, e continuado em A mão feliz (1913). São obras que se equivalem, quanto ao clima expressionista, a certos aspectos do teatro de Strindberg.

Em Pierrot lunaire o expressionismo é só musical, pois os textos são do simbolista belga Albert Giraud. Apesar do contexto tradicionalista, a obra, ciclo melodramático para voz e sete instrumentos, dá a sensação de ruptura total. O emprego do canto falado é sistemático. A técnica contrapontística, já presente em obras anteriores, se liga de maneira insólita ao atonalismo, e o princípio de variação é sistematizado no acompanhamento instrumental. Superando os textos simbolistas de Giraud, Schönberg produziu obra originalíssima. O aspecto de delírio não é decadentista, mas de teor quase apocalíptco.

Durante dez anos Schönberg silenciou quase completamente. Exceções foram a versão definitiva de Cantos de Gurre, só produzida em 1913, e a composição de um oratório, deixado incompleto, A escada de Jacó (1915-1922), a última de suas obras expressionistas. Nesse período dedicou-se sobretudo à reflexão teórica. Quando reapareceu, em 1923, foi para dar os primeiros passos na edificação do seu novo sistema tonal: as Peças para piano Op. 23 (5) e a Serenata Op. 24 são as primeiras obras em que utiliza o método serial, embora já estivesse previsto na parte final de A escada de Jacó, segundo o próprio compositor.

O que se esboça na Serenata Op. 24, peça de grande encanto em seu ludismo sonoro, divertimento na obra de um compositor tão austero, se torna mais evidente na Suíte Op. 25 e no Quinteto para sopros, ambos de 1924, peças em que o novo método é definitivamente integrado. A alguns pareceu estranho que Schönberg incorporasse às formas clássicas um método revolucionário de composição, mas toda a sua obra foi produto de tendências contrárias.

O Quarteto para cordas n.º 3 Op. 30 (1926), resultaria de uma extrema tensão entre o lirismo e o rigor formal. Finalmente, as Variações para orquestra Op. 31 (1927-1928) seriam o cume de um novo método, numa forma de grande amplitude; de certa forma seriam para a música serial o que A arte da fuga de J.S.Bach foi para a música barroca.

Na fase final, nos Estados Unidos, Schönberg tentou o que muitos julgavam inviável, a síntese entre a música serial e a tonalidade clássica. Desconcertou aos que o julgavam intransigente, reconhecendo que a necessidade de expressão, e não a pesquisa metódica, determinava o ato criador.

São dessa fase os famosos Concerto para violino Op. 36 (1936) e Concerto para piano Op. 42 (1942), e também o Quarteto para cordas n.º 4 Op. 37 (1936). De um neo-expressionismo musical são representativos, enfim, o Hino à Napoleão Op. 41 (1942) e O sobrevivente de Varsóvia (1947), e enfim, o seu testamento criador, a ópera Moisés e Aarão (1951), que ficou incompleta, mas impressionou profundamente nas representações.

Como teórico Schönberg deixou obras de grande valor, destacando-se Tratado de harmonia (1911), Funções estruturais de harmonia (1951) e Estilo e idéia (1951). Entre seus discípulos figuram os dois grandes músicos austríacos Webern e Berg. Schönberg também foi pintor em estilo expressionista. São notáveis seus auto-retratos.


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