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Nicolai Andreievitch Rimski-Korsakov nasceu em Tikhvin, Novgorod (Rússia), em 18 de março de 1844. Pertencia a uma família aristocrática e foi criado nos domínios familiares, onde as suas primeiras experiências musicais foram as danças populares executadas, durante as festas de família, por quatro músicos judeus (2 violinos, címbalos e tamborim). Como a sua sensibilidade musical se manifestou excepcionalmente cedo, mandaram-no aprender piano aos 6 anos, aos 9 já fazia as primeiras tentativas de composição.

Os seus dotes eram evidentes e maravilhavam os que o rodeavam, mas, como um jovem de boa família devia seguir a carreira das armas, inscreveram-no, aos 12 anos, na escola de cadetes da marinha, em São Petersburgo. Na educação que recebeu até 1862, nada favorecia o desenvolvimento dos seus dons, mas conseguia estudar piano e violoncelo aos domingos e durante as férias.

Em 1861, conheceu Balakirev e decidiu completar com ele a sua muita sumária formação musical, e juntou-se ao grupo de jovens músicos (Cui, Mussorgsky, Borodin), quase todos autodidatas, que se reuniram à volta de Balakirev para criarem um nacionalismo musical russo: constituíam o escol e a vanguarda da nova música russa, o famoso Grupo dos Cinco que, em breve, iria dar de falar.

Obrigado a navegar por esse mundo, antes de ter podido aproveitar plenamente os ensinos de Balakirev, Rimski-Korsakov compôs, não sem dificuldades, a sua Sinfonia n.º 1, que, corrigida por este, foi interpretada com grande êxito em São Petersburgo (1865). Seguiram-se várias obras que iriam fazer que o jovem marinheiro fosse, para seu espanto, nomeado professor de composição do conservatório de São Petersburgo. Tornaria-se um célebre professor e teria como alunos Liadov, Gretchaninov, Glazunov, Stravinsky, Respighi, entre outros.

Mas a bagagem do novo professor era ainda muito insuficiente: entre as aulas, dedicava-se a um estudo muito profundo de contraponto, da harmonia, da instrumentação e tornou-se, devido a um trabalho intenso, no mais sábio músico de sua geração. Foi nomeado professor de bandas da armada, o que lhe evitou ter de se demitir da marinha. Nos anos seguintes, foi diretor de concertos do conservatório livre (1874-1881) e diretor de concertos sinfônicos russos fundados pelo editor Bélaiev.

Exibiu-se como chefe de orquestra no estrangeiro, especialmente em Paris, durante a Exposição Universal de 1899, onde a música russa foi uma revelação para os jovens músicos franceses. Em 1905, foi demitido das suas funções pedagógicas em virtude de ter publicado uma carta de protesto contra a ingerência dos poderes públicos na administração do Conservatório. Glazunov e Liadov demitiram-se de imediato, e o escândalo obrigou a uma reorganização do estabelecimento, sob a direção de Glazunov, que reintegrou nas suas funções de ilustre professor. Rimski-Korsakov morreu em Linbensk, próximo a São Petersburgo, em 21 de junho de 1908.




Obras: 15 óperas (entre as quais se contam Sniegurotchka, O galo de ouro e a sua obra-prima: A lenda da cidade invisível de Kitej), numerosas obras corais, 3 sinfonias (entre elas, a n.º 2 - Antar), grandes aberturas ou suítes sinfônicas (Capricho espanhol, Scherazade, A grande Páscoa russa), um concerto para piano, música de câmara, peças para piano, mais de 100 melodias. Devem-se lhe também a harmonização de cerca de 150 canções populares russas, a edição da obra completa de Glinka, a correção ou a orquestração de algumas obras dos seus contemporâneos.

Criticou-se muito a sua intervenção nas obras de outros (orquestração de O convidado de pedra, de Dargomijsky, de uma parte de O príncipe Igor de Borodin, das duas grandes obras de Mussorgsky, Boris Godunov e Khovantchina que terminou, a transcrição para a partitura de A noite de São João no Monte Calvo). É certo que nem sempre foram hábeis do ponto de vista das intenções originais (Mussorgsky, por exemplo), mas são testemunho de uma consciência e de uma dedicação que não foram suficientemente louvadas.

Em contrapartida, disse-se tudo acerca da esplêndida 'paleta' orquestral de Rimski-Korsakov e poucas vezes foi tão feliz o vocabulário tomado de empréstimo às artes plásticas. A preocupação de pintar na música é uma das características do seu gênio sinfônico e todas as suas obras instrumentais notáveis se podem considerar emanações da música de programa.

Mas as suas óperas, que são as suas melhores produções, não são suficientemente conhecidas. Nelas faz magistralmente a fusão íntima das técnicas ocidentais e da inspiração russa (lendas populares e temas nacionais, velhos modos eclesiásticos e gamas orientais), fusão preconizada por Glinka ('fusão íntima dos cantos populares russos e da fuga originária do Ocidente').


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