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Franz Joseph Haydn nasceu em Rohrau, Baixa Áustria, a 31 de março de 1732. De família pobre, filho de Mathias Haydn (1699-1763), um carpinteiro de carros, e de Maria Koller (1707-1754), uma cozinheira, Joseph foi o segundo de uma família de doze crianças.

Haydn foi, após instrução inicial com um mestre-escola em Hainburg (1736), admitido no coro da catedral de Santo Estevão, em Viena onde, conhecido por suas travessuras, completou a sua educação musical. Levou depois vida modesta de músico de tavernas e serenatas populares. Através de Niccolo Porpora entrou em contato com o grande mundo da música. Em 1759 foi nomeado diretor musical da câmara do conde Morzin, da Boêmia.

Em 1760, casou-se com Maria Anna Keller (1729-1800), uma mulher de pouca inteligência e rabugenta. Em 1761, após o casamento fracassado, deu-se um acontecimento decisivo para Haydn: foi contratado pelo príncipe Paulo Antônio Esterházy como segundo mestre de capela em Eisentadt. Posteriormente, instalou-se no castelo, servindo a quatro príncipes, estes grande entusiastas da música. Numa corte que pretendia rivalizar com Versalhes, Haydn tornou-se figura indispensável como diretor musical, tendo uma orquestra à sua disposição. Realizava curtas viagens à Viena, onde tinha amizade com Mozart. Sob influência de L.Mozart, Haydn iniciou-se na maçonaria.

Grande parte do tempo servia ao príncipe conhecido como Nikolaus, o Magnífico, patrono que tinha uma compreensão aguçada de música e um gosto especial pelo barítono, instrumento grave de cordas, com cordas adicionais apropriadas que também podem ser dedilhadas, fato que levou o músico inglês Burney a descrevê-lo adequado somente para uma ilha deserta, onde o executante poderia dedilhar acompanhamento para si próprio. Sua fama tornou-se internacional e, em 1791, com a morte do príncipe, adquiriu uma liberdade que era antes limitada.

Conheceu grandes sucessos em Londres, onde estagiou um ano e meio e apresentou seis novas sinfonias (n.ºs 93-98), a convite do empresário Salomon. Em Oxford, recebeu o título de doutor honoris causa. Em seu retorno à Viena, encontrou-se com Beethoven, que alguns meses mais tarde se tornaria seu aluno.

Em nova viagem para a Inglaterra (1794), ouviu os oratórios de Händel, e compôs e dirigiu as suas últimas sinfonias (n.ºs 99-104). Ao regressar, passou por Hamburgo com a esperança de conhecer C.P.E.Bach, sem saber que este havia morrido há sete anos.

Seus últimos anos em Viena foram de atividade intensa, como compositor oficial do império. Terminou seus dias cercado de constantes visitas, admiração e respeito, transmitindo seus ensinamentos aos jovens, dentre os quais o mais ilustre foi Beethoven. Haydn morreu a 31 de maio de 1809, ao ser a cidade ocupada pelas tropas de Napoleão, e foram os próprios oficiais franceses que formaram a guarda de honra no seu enterro. No decorrer de uma importante cerimônia em sua memória, no dia 15 de junho de 1809, foi executado o Requiem de seu amigo Mozart.




Caracterização - Haydn é o iniciador de uma nova fase na história da música. Não foi homem de grande cultura, mas de rara inteligência musical. Sua experiência em conjuntos ambulantes, nas ruas, onde era impossível o acompanhamento de baixo contínuo, levou-o a compreender a auto-suficiência do conjunto instrumental de cordas. Com a sua obra se desenvolve uma nova polifonia instrumental, sem o apoio harmônico do baixo contínuo.

Seu princípio construtivo será a forma-sonata, que teve precursor mais ilustre C.P.E.Bach. Esse esquema construtivo (exposição, modificação tonal e recapitulação, com desenvolvimento de temas constantes), torna-se a base da música instrumental de Haydn. Nela a forma-sonata se aperfeiçoa e se faz a pedra de toque do Classicismo vienense.

Haydn é o primeiro nome da tríade "clássica", seguido por Mozart e Beethoven. Mas não deve ser tomado por um iniciador primitivo de um estilo depois aperfeiçoado. Sua obra, ou pelo menos a parte válida de sua obra imensa, já é perfeita dentro de suas proposições. E o que se propôs foi justamente o aperfeiçoamento de uma nova linguagem musical. Sua origem musical foi o folclore musical da Baixa Áustria, e nesse sentido sua música é inconfundivelmente austríaca, mas seu ponto de chegada, o enriquecimento da música instrumental, foi um idioma universal falado por todos os músicos modernos, e não só pelos clássicos vienenses.

Obra - A produção de Haydn foi imensa, abrangendo cerca de meio século de atividade. Embora tenha sido compositor essencialmente instrumental, sua produção compreende todos os gêneros instrumentais e vocais, sacros e profanos. À quantidade enorme se superpõe a dificuldade de, não se tendo ainda estabelecido uma edição completa de suas obras, muitas atribuições serem errôneas. Não sendo possível percorrer uma evolução cronológica, sua obra deve ser considerada em uma divisão básica: instrumental e vocal.

Música instrumental - Sinfonias - As seções mais importantes da música instrumental de Haydn são as sinfonias e quartetos. As primeiras sinfonias, que não sobreviveram no repertório, datam da década de 1760. Utiliza-se nelas de elementos da música barroca, conjugando, em pequenas orquestras, instrumentos de sopro e cordas. Quanto à estrutura, Haydn não tardou em adotar a divisão em quatro movimentos: allegro, andante, minueto e segundo allegro.

A partir de 1768, atingindo a maturidade, o estilo de Haydn se transforma, tornando-se mais expressivo com o uso de modulações e contrastes entre os movimentos. Nessas obras predominam o gosto pela assimetria formal, o espirit, a nobreza aristocrática e a jovialidade popular. Entre as sinfonias que se destacam depois de 1770 estão a Sinfonia n.º 48 em dó maior - Maria Teresa (1772), Sinfonia n.º 63 em dó maior - Roxolane (1777), Sinfonia n.º 69 em dó maior - Laudon (1778), Sinfonia n.º 73 em ré maior - A caça (1781), Sinfonia n.º 82 em dó maior - O urso (1786), Sinfonia n.º 83 em sol menor - A galinha (1785), Sinfonia n.º 85 em si bemol maior - A rainha (1786) e Sinfonia n.º 92 em sol maior - Oxford (1788).

Haydn foi de natureza complexa: homem do século aristocrático que não abandonou as raízes populares, católico ligado ao ambiente racionalista da maçonaria. Essas ambigüidades se refletem nas tensões dramáticas de sua forma-sonata. Suas últimas sinfonias são mais complexas, o naipe instrumental é mais diverso, com emprego da percussão e o uso de novos timbres. A influência de Mozart, nessa última fase, é evidente, mas não deve ser exagerada, tendo havido intercâmbio entre os dois mestres. Das 12 grandes sinfonias londrinas, destacam-se a Sinfonia n.º 100 em sol maior - Militar (1794), Sinfonia n.º 101 em ré maior - O relógio (1794), Sinfonia n.º 103 em mi bemol maior - O rufar dos tambores (1795) e Sinfonia n.º 104 em ré menor - Londres (1795).

Além de 104 sinfonias, Haydn escreveu dezenas de aberturas, marchas e divertimentos para pequenas orquestras, e vários concertos para cravo e orquestra. Mais importante, porém, é a sua obra de câmara. Antes dos quartetos é preciso citar como obras muito pessoais as sonatas para piano, destacando-se a Sonata para piano n.º 49 em mi bemol maior (1790). Entre as obras de câmara tem lugar especial o Trio para piano n.º 1 em si bemol maior - O cigano, cujo apelido deve-se aos seus elementos do folclore austríaco, eslavo e húngaro. Mas foram os quartetos sua principal contribuição.

Música instrumental - Quartetos - Haydn escreveu ao todo 83 quartetos. Nessas obras se dá a mais perfeita síntese inventiva entre o equilíbrio construtivo e a expressão emotiva. São os quartetos da última fase que melhor representam o seu gênio inventivo, no desenvolvimento de mutações melódicas e rítmicas. Neles é mais sensível a influência mozartiana, embora muito de sua inventividade se deva também à maturidade estilística de Haydn.

Destacam-se o Quarteto n.º 1 em dó maior Op. 74 (1793), o Quarteto n.º 3 em sol menor Op. 74 - O cavaleiro (1793), de rico conteúdo folclórico, o Quarteto n.º 2 em ré menor Op. 76 - Quarteto das quintas, em geral considerado como a sua obra-prima no gênero, pela sua riqueza de contrastes, o Quarteto n.º 3 em dó maior Op. 76 - Imperador (1798), com variações sobre o hino alemão, o Quarteto n.º 4 em si bemol maior Op. 76 - Aurora (1798), o Quarteto n.º 5 em ré maior Op. 76 - Quarteto do largo (1798) e enfim o Quarteto n.º 2 em fá maior Op. 77, de extrema gravidade em seu movimento intermediário.

Música vocal - Em suas obras vocais Haydn não é inovador como foi na música instrumental. Segue, relativamente, a tradição. Filho de um século profano, foi também operista. Entre as suas óperas bufas, destaca-se O boticário (1768), com texto de Carlo Goldoni.

Mas é na música litúrgica que se destaca mais. Curiosamente, embora cristão fervoroso, não fez muita distinção entre o religioso e o profano. Suas missas estão carregadas de elementos profanos, e nelas se sente a sombra do sinfonista, que se revela no contraste entre os solistas e o coro e no estilo concertante. Eram consideradas inconvenientes para a liturgia e a sua época preferiu as missas do irmão, Michael Haydn.

As missas de Joseph Haydn, da última fase, revelam a influência de Mozart. Não tem contudo, aspecto litúrgico, mas de sinfonias corais. A Missa em dó menor - Em época de guerra (1796) antecipa, em alguns trechos, a grande Missa Solemnis, de Beethoven. Merecem destaque, ainda, a Missa em ré menor - Nelson (1792), de todas a que mais sobrevive, e a Missa para instrumentos de sopro em si bemol maior - Harmonia (1802).

Essa música pouco litúrgica despertou polêmica em sua época. Haydn foi influenciado pelo estilo italiano de Alessandro Scarlatti, que transparece no seu Stabat Mater (1773). Sua obra coral mais famosa é As sete palavras de Cristo na cruz, compostas de peças escritas originalmente para orquestra em 1785 e adaptadas para o coro em 1796, e posteriormente para quarteto de cordas.

Mais célebres ainda são os seus oratórios, do fim de sua vida. A criação (1798) é a sua maior obra vocal, de grande complexidade emotiva, em sua inspiração semi-profana, semi-religiosa. Mais francamente profano é As estações (1801), sobre o poema bucólico inglês de James Thomson. É obra que preludia, em alguns sentidos, a Sinfonia Pastoral, de Beethoven.

Compositor notavelmente fértil, Haydn deixou extensa obra vocal, incluindo cantatas para solo, árias, duetos, trios e quartetos vocais, e muitas canções de base folclórica, inclusive o coral que se tornou o hino nacional da Áustria. Mas seu lugar na história da música está marcado pelas inovações que trouxe na música instrumental, desenvolvendo a forma-sonata e consolidando a estrutura de novos gêneros, como a sinfonia e o quarteto.


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