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Alberto Evaristo Ginastera nasceu em 11 de abril de 1916, no bairro de Barracas, na então capital cultural da América do Sul, Buenos Aires. De origem humilde, começou a estudar piano aos sete anos. Aos doze, ingressou no Conservatório Williams, onde teve como mestres Celestino Piaggio e José Gil, este último seu professor de harmonia e composição.

Em 1935 graduou-se maestro com medalha de ouro no Conservatório Nacional de Música e se dedicou à composição, sendo sua primeira obra uma música de cena, Panambi. Tinha então 21 anos.

A partir dessa estréia, ganhou diversos prêmios: o Nacional, o da Comissão Nacional de Belas-Artes, o do Ministério de Instrução Pública e vários outros de menor categoria.

Em 1941 Lincoln Kirstein encomendou-lhe para a companhia de dança Caravan a que seria a mais conhecida de suas obras, a música de cena Estância. A partir daí passou a ser convidado para concertos, recebeu encomendas de outras peças, deu conferências e lecionou em universidades argentinas e estrangeiras, e muitas academias o designaram membro correspondente ou jurado de prêmios internacionais de grande importância.

Mais tarde, criou a Faculdade de Ciências e Artes Musicais da Universidade Católica Argentina, dirigiu o Centro Latino-Americano de Altos Estudos Musicais do Instituto Di Tella e organizou concertos nos quais os jovens alunos podiam ouvir e aprender as técnicas mais apuradas que chegavam do estrangeiro.

Mas ao contrário de sua agitada carreira, o argentino levou uma vida pessoal com discrição. Depois de passar longos anos entre a Argentina e viagens ao exterior, resolveu mudar-se em 1970 para Genebra, na Suíça, onde conheceu e casou-se com a violoncelista Aurora Natola.

Longe das turbulências políticas e econômicas da Argentina, o compositor passou a utilizar cada vez menos a temática folclórica e dedicar-se mais à criação de obras neo-expressionistas.

Ginastera morreu em Genebra, onde viveu seus últimos anos, em 25 de junho de 1983. Está enterrado no cemitério desta cidade, próximo ao túmulo de outro argentino mundialmente famoso, o escritor Jorge Luis Borges.




A capacidade de Ginastera era enorme, e em meio a diversas atividades ainda encontrava tempo para se dedicar à composição, acrescentando continuamente novas obras a seu catálogo.

Principais obras: Abertura Fausto Crioulo, Lamentações do profeta Jeremias, Sinfonia elegíaca, Cantata para a América mágica, quarteto para cordas, vários concertos e 3 óperas: Don Rodrigo (1964), com textos do escritor espanhol exilado Alejandro Casona; Bomarzo (1967), sobre a novela de Manuel Mujica Láinez; e Beatrix Cenci (1971), sobre um libreto escrito por William Shand e Alberto Girri.

À Ginastera poderiam ser atribuídas mudanças notáveis na maneira de compor, mas seria falso falar de mudanças estéticas quando o que na realidade ocorreu foi uma evolução – como acontece hoje em dia, quando nos vemos atraídos pela aparição de sucessivas mudanças estéticas que não podem ser chamadas de escolas, uma vez que não passam de ondas que nos chegam em meio a uma tempestade produzida pela desorientação das modas – para ir refinando a sua "maneira de dizer".

Desde as primeiras obras, fundamentou sua escritura em breves referências folclóricas argentinas como base melódica e rítmica, que ia trabalhando com variados métodos já utilizados – mais ou menos repetidos – por diferentes mestres. É uma forma lógica e reproduzida continuamente ao longo da história da música.

Primeiro, aparece uma influência de escritura inspirada na música do compositor César Franck, o que ocorreu, por exemplo, em seus bailados Estância e Panambi. Foi sobretudo sua atração pelas formas construtivas do mestre belgo-francês que deu a essas primeiras obras um ar afrancesado, desmentido tanto pela função melódica quando pela construção harmônica.

Mais tarde, esse gosto adquirido em seus estudos foi se depurando, ao mesmo tempo que sua indiscutível personalidade ia se firmando. Hoje podemos afirmar que ele é um dos mais importantes representantes da música sul-americana, embora esta tenha derivado, sob a influência da revolução dodecafônica, para os territórios muito agressivos e intransigentes da nova academia nascida da escola de Darmstadt.

Músicos e estudiosos, como Juan Carlos Paz, classificaram Ginastera como produto espúrio, que "disfarça com roupagens estranhas um passado alheio à nossa idiossincrasia". Apesar disso, a música de Ginastera continua viva e aceita com entusiasmo pelo público.

Como qualquer estudante de arte, Ginastera se iniciou na tradição – a academia sempre obriga a isso –, mas, a medida que avançava no conhecimento das escolas européias, começou a integrar novas fórmulas, conservando sempre o impulso rítmico que herdara da música local, ao mesmo tempo que ia depurando seus métodos de orquestrador até conseguir uma verdadeira maestria pessoal.

Pouco a pouco, essas ataduras localistas foram caindo diante da necessidade de universalizar sua expressão dramática, de interiorizar-se, de alcançar uma personalidade própria e uma forma de expressão que satisfizesse sua necessidade emotiva, argentina e americana.

Entretanto, nunca caiu no intelectualismo de acreditar que o descobrimento repentino de novas trilhas, a moda enfim, tinha de imperar sobre a sua emotividade, e sobretudo que as raízes argentinas, americanas, teriam de ser abandonadas para satisfazer a constante renovação que exigiam as escolas que brotavam como fungos no bosque emaranhado das mudanças estéticas recém-chegadas.

Mestre de uma série de músicos da geração seguinte, ajudou na formação de outros muitos músicos em sua cátedra de harmonia do conservatório na década de 1940: Astor Piazzola, Gerardo Gandini, Armando Krieger e Silvano Picchi.


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